Proporção de trabalhadores sobre-educados cresce no país, aponta Ipea

De acordo com as notícias de um estudo publicado na primeira metade de agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi registrada, entre os anos de 2012 e 2023, uma alta na proporção de trabalhadores no país considerados “sobre-educados” — ou seja, aqueles que possuem escolaridade superior à que é exigida por suas ocupações no mercado de trabalho. 

Segundo o levantamento intitulado de “A Evolução da Sobre-Educação no Brasil e o Papel do Ciclo Econômico Entre 2012 e 2023”, cerca de 26% dos trabalhadores estavam nessa situação, de sobre-educados, em 2012 — percentual que subiu para 38% em 2020, e permaneceu estável até 2023. 

Conforme o que frisou a reportagem publicada no último dia 12 de agosto no portal do Ipea, com as principais conclusões da pesquisa, o estudo em questão “revela um crescimento da população […] com mais anos de estudo do que o nível máximo considerado indispensável para a função desempenhada” — em especial, “entre aqueles com ensino médio completo e que estão em ocupações para as quais se exige apenas o fundamental”, especificou o Instituto.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, e um dos autores da publicação, Sandro Sacchet, esclareceu, contudo, que — apesar de a sobre-educação ser maior e ter crescido mais entre aqueles com ensino médio completo (e que, portanto, ocupam funções que exigem apenas até o ensino fundamental) — “o crescimento da sobre-educação entre aqueles com ensino superior também foi expressivo”. Além disso, “a sobre-educação também aumentou mais entre os informais, no caso, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira assinada”, acrescentou Sacchet.

Ainda segundo o que salientou a matéria do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, “o texto para discussão destaca também a necessidade de mudanças estruturais para ampliar a oferta de empregos de melhor qualidade, de forma a adequar a qualificação dos trabalhadores às exigências do mercado de trabalho”. 

Essas e demais conclusões do estudo do Ipea constam na íntegra da reportagem publicada no portal da entidade